Páginas

terça-feira, 19 de setembro de 2017

TURMA ENSK 1968

[Baldaŭ esperante - Eo]

[Em breve em Esperanto - Pt-Br]



Turma ENSK 1968: 49 anos de Formatura!

A ENSK - Escola Normal Sara Kubitschek - fica em Campo Grande, RJ. Àquela época funcionava num prédio pequeno, simpático, acolhedor na Rua Augusto de Vasconcelos. Suficiente para amizades, inquietudes da adolescência, sonhos, confidências, namoros, travessuras no Grêmio Estudantil, bailes com boa música. Estudávamos. E não era pouco. O diploma nos concedia direitos e prerrogativas para o ensino dito primário nas escolas da rede municipal. Bom ensino. Nossos professores e professoras nos marcam até hoje, quer os considerássemos amigos ou algozes nas aulas, cobranças e provas! Muitos aprovados direto para a universidade. Até para a concorrida Medicina. Como a alma não era pequena, tudo valeu a pena!

O almoço comemorativo no sábado, 16 de setembro de 2017, para alguns depois de 49 anos sem se ver. Não deu outra - piadas, sustos, gozações - tudo encantamento, alegria, lágrimas felizes, amizade, amor rejuvenescido, abraços apertados. Saudade de quem se foi e de quem, entre nós, não pôde ir por algum impedimento justo. Logo que apareceram fotos e filmes, a confissão dita ou silenciada dos ausentes: ano que vem, no Jubileu de Ouro, não falto nem que a vaca tussa. Na certa não vai tossir. Nem vai pro brejo! Até lá, encontros intermediários virão. Preparar é preciso. Viver também! Pois tudo vale a pena, que nossa alma não é pequena!

Como prometido, seguem dois poemas insones e comemorativos, lidos por este Autor feliz e agradecido, entre boas risadas. Ouvi falar de lágrimas furtivas. Será?

TURMA ENSK 68

gentil, Regina Vellasco nos recebe em sua casa:
mais quente do que o churrasco nosso fogo, nossa brasa!

perfume de cada frasco, o povo do Sara arrasa.
vestir o uniforme... um fiasco! botão... não chega na casa!

cada frasco boa essência, cheirinho de adolescência,
já não tem ninguém afoito

em geral muita inocência temperava a saliência:
turma ENSK meia oito!




VALENTIA DOS CINCO

na mentalidade reinante
fazer normal um rapaz
era muita valentia:
o cabra perdia a paz
... de tanta coisa que ouvia!

num tal desfile da Pátria
- as meninas todas prosas -
certo menino emburrado
ouve coisas horrorosas:
isso é coisa de veado!

saudades de quem se foi: 
Eduardo e Jorge Euclides
quem aguentou o rojão?
Paulinho, Alfredo e Nagib
em meio a cada mulherão!

- isso não passa de inveja!
e pra essa gente calar
no sábado tinha wi-fi
para a gente namorar
- famoso mela-cueca...
literal e de arrasar!

no grêmio, nossa alegria!
tinha sempre um toca-disco,
nossa carta de alforria.
matou aula? seja arisco!
- eu só vim tirar um cisco
no meu olho que doía!
a desculpa não colou:
- pra sala do Diretor!

era muita valentia
menina a pular portão
e quando uma subia
se arregalava o olhão
quem sabe a saia rasgasse
quando a menina descia!
     felicidade no Sara 
     fluía feito poesia!




sábado, 16 de setembro de 2017

ENGUIÇO / MISFUNKCIO


Resultado de imagem para autoconhecimento

tanto autoconhecimento
e constato:
só me conheço por alto
prova disso a dor
do amor sem compromisso
                                 isso
que pensava ser amor
                        deu nisso!

***********

Resultado de imagem para autoconhecimento

tiom da memkono
sed konstato:
nur supraĵe min mi konas
pruvas tion la doloro
de amo sen kompromiso
                       jen miso
amo nur supozita

                      nur miso!

domingo, 27 de agosto de 2017

ONÍRICO IMPACTO / SONĜA FRAPEGO

Resultado de imagem para fúrias


1
despenca não sei de onde este sonho que me atinge
e tinge de cores fortes dores fortes
meus cortes minhas feridas:
um sonho que me provoca
e evoca redemoinhos em rios de pororoca
e do peito desentoca feras fúrias vendavais
raivas rugidos rangidos roucos gritos guturais
e esse sonho me desemboca no oceano dos conflitos
e na praia, entre os aflitos, me sufoca e mal respiro
e no profundo suspiro quase piro quase paro
desespero em desamparo naufrago no abismo trágico
do meu básico egoísmo
2
e no vão sombrio da mente espreita-me um mafioso
não sonega só o imposto a minha vida sonega
e só nega se o permito e pelo mito trafega
e me subtrai o livro da minha obra completa
que em mim mesmo se engaveta perco a chave e não me livro
do livro da minha lavra e ― palavra! ― na gaveta
durmo versos na caneta poemas frustro em aborto
e aumenta o desconforto e, mafioso, me escondo
de mim tão bem escondido que mesmo quando me grito
não sei de onde respondo e fica tudo um repeteco
3
pergunto não sei de onde: “responde, Paulo, responde!”
mas, o eco... onde? onde?

Resultado de imagem para vendavais

1
falegas el kie? ĉi sonĝo kiu min trafas
fortakolore fortadolore min farbas
miajn vundojn miajn tranĉojn:
sonĝo kiu min instigas
akvo-kirlado aspekta rivere riverimpete
rab-bestojn furiojn ventegojn ĝi elbruste elkavigas
kolerojn roregojn grincadojn raŭkajn gorĝajn kriadojn
kaj tiu sonĝo enfluas min en oceanon de konfliktoj
surstrande, inter afliktoj, min sufokas apenaŭ-spire
profund-sopire preskaŭ-freneze preskaŭ-halte
melespere senprotekte drone en l’ tragikan abismon
de mia baza egoismo
2
en malhela mensa kavo mafiulo min gvatas
ne nur imposton li kaŝas mian vivon ankaŭ kaŝas
sed nur kaŝas se permesite aŭ per mito kursadas
nur min subtrahas la libron de mia kompleta verko
libro en mi ie kaŝita seneskape la ŝlosilo perdita
de l’ libro de mia skribo ― mi ĵuras! ― tir-keste kaŝe
versojn mi dormas enplume poemojn mi frustras aborte
kreskas plu la senkomforto, mafiece jen mi kaŝiĝas
el mi tiel bone kaŝite, ke eĉ kiam min mi krias
ne scias de kie l’ respondo ĉio ripete fariĝas
3
“Respondu, Paŭlo, respondu!” ― la demand’ venas de kie?
sed, la eĥo ripetadas... de kie? de kie? kie?

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

STREĈ-VOLUPTO EN OLIMPO / TE(N)SÃO NO OLIMPO

Resultado de imagem para olimpo zeus na arte

kie kaŝiĝas Eroso,
ekdoloroj kapdoloroj
tusoj jukoj!
kien forfuĝas volupto?

fordisiĝas Eroso
ternadas ĝemas
Tanatos’ rudron prenas
de l’ barko driva

enlitigas Tanatoso
inertajn korpojn
sen volupto aŭ dezir’  

ĝis Afrodito ditku
bruligan edikton:
nin Eroso elitigu!

     (Plenridete jen Psik’!)

***********
Resultado de imagem para olimpo zeus na arte

onde Eros se esconde,
despontam dores
coceiras tosses cabeça dói!
onde a libido vai?

Eros se esvai
espirra geme
Tanatos pega o leme
do barco à deriva

Tanatos leva pra cama
os corpos entorpecidos
sem desejo sem tesão

até que Afrodite dite
o edito que nos inflama:
Eros nos leve pra cama!

     (Psique pisca e sorri...)

domingo, 13 de agosto de 2017

DEGUSTAÇÃO/ GUSTUMADO

Resultado de imagem para arte vinhos



aprecio o macio toque amadeirado

da poesia cítrica que precede a líquida

prelibação do vinho – taninos frutados –  

que sabem a cereja

aromas da amada luz rubra dos rubis



a procedência ressaltada nas palavras servidas

sorvidas no rito aromático

das prelibações aguçam

o sabor delicado e fluido das libidos



lições de geografia poética precedem

como preliminares

os eflúvios do antebeijo

suave

só então o mergulho sôfrego

e náufrago no torpor

adivinhado dos dilúvios

ávidos atávicos vadios

 ****
Resultado de imagem para arte vinhos



mi ĝuas la nuancon lignece mildan

de l’ citrata poezio

kiu antaŭas l’ antaŭgustumon likvan

de l’ vino – fruktogustaj taninoj –  

ĉerizogusta

aromoj de l’ amatin’ rubena lumo ruĝa


la deveno emfazita de servitaj vortoj

sorbitaj dum l’ aroma rito

de l’antaŭgustumo, kiu ekscitas

la mildan fluidan guston de voluptoj


prigeografia lekciono poezia

kvazaŭ antaŭfaroj antaŭas

l’ efluvon de la antaŭkiso

mildoplena

nur tiam l’ ardige droninta

hebeteca mergiĝo

divenita de l’ diluvoj

avidaj vagantaj atavismoj